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McKinsey Global Institute

O futuro da Ásia é hoje

A Ásia está no caminho de ultrapassar 50% do PIB mundial até 2040 e alavancar 40% do consumo global, o que representa um deslocamento real do centro de gravidade do planeta.

Há anos que observadores e jornalistas ocidentais vêm comentando sobre o crescimento da Ásia em termos de seu imenso potencial futuro. Agora chegou o momento de o restante do mundo atualizar sua forma de pensar – porque o futuro chegou ainda mais rápido do que se previa.

Um dos desenvolvimentos mais dramáticos dos últimos 30 anos foi o surgimento de um consumo cada vez maior da Ásia e de sua integração nos fluxos globais de comércio, capital, talentos e inovação. Nas próximas décadas, as economias do continente asiático deixarão de participar simplesmente desses fluxos para passar a determinar sua forma e direção. De fato, em muitas áreas – da internet ao comércio e aos artigos de luxo – isso já acontece. A questão não é mais quanto à velocidade com que a Ásia vai crescer, mas sim de que maneira ela irá liderar.

Obviamente, é difícil fazer generalizações com relação a uma parte tão vasta do mundo, que compreende uma multiplicidade de línguas, etnias e religiões. 1 Essas nações apresentam formas variadas de governo, sistemas econômicos e indicadores de desenvolvimento humano. Algumas possuem populações jovens e crescentes, enquanto outras estão envelhecendo. A renda per capita anual varia de US$ 849 no Nepal a US$ 57.714 em Cingapura. A região engloba ruínas antigas e trens-bala, aldeias rurais de tradição agrícola e arranha-céus imensos.

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O fio condutor comum dessa região tão diversificada está na trajetória ascendente de seus principais indicadores sociais e econômicos. No ano 2000, a Ásia representava apenas 1/3 do PIB mundial (em termos de paridade de poder de compra), e hoje ela está a caminho de ultrapassar os 50% até 2040. Ao chegar nesse ponto, a expectativa é que ela venha a representar 40% do total do consumo global. A Ásia tem feito não apenas progressos econômicos, mas também rápidos avanços no desenvolvimento humano – de expectativas de vida mais longas e maiores níveis de alfabetização a um aumento expressivo no uso de internet.

O crescimento da região não somente tirou centenas de milhões de pessoas da pobreza extrema, como também melhorou o padrão de vida de maneira mais ampla para pessoas de todos os níveis de renda. A urbanização está alavancando o crescimento econômico e abrindo portas para educação e serviços públicos de saúde. Mas bolsões de pobreza e desafios com respeito ao desenvolvimento real ainda permanecem. O ritmo alucinado de crescimento levou muitas cidades a lutar para conseguir prover moradia, infraestrutura e outros serviços necessários para seu crescente volume de cidadãos. Países por toda a região precisam chegar a um crescimento econômico mais inclusivo e sustentável para conseguir lidar com a desigualdade e os estresses ambientais.

Uma pesquisa recente do McKinsey Global Institute (MGI) analisou 71 economias em desenvolvimento e destacou 18 delas com base em seu crescimento econômico robusto e consistente do PIB. Todas as sete economias de desempenho excepcional de longo prazo, e cinco das 11 nações que apresentaram desempenho excepcional mais recente, estão localizadas na Ásia. Em décadas recentes, diversos países asiáticos conseguiram impulsionar seu desenvolvimento e entrar para o grupo de economias de nível médio, ou mesmo avançado. Isso reflete a industrialização e a urbanização continuada da região, o aumento da demanda e o crescimento da produtividade e um setor corporativo dinâmico.

Essas tendências representam uma mudança real no centro de gravidade global. O acadêmico Parag Khanna afirma que o “século da Ásia” já começou e observa que o crescimento da região não é cíclico, mas estrutural. 2 A evolução emergente da Ásia chegou em um estágio em que é preciso um reconhecimento global mais profundo. Ela está virando as premissas sobre o equilíbrio econômico mundial de cabeça para baixo – premissas estas sustentadas há muito tempo pelo ocidente e mesmo pelo próprio continente asiático.

Este artigo traz uma visão geral do papel da Ásia em quatro áreas: redes e fluxos comerciais, corporações na Ásia, tecnologia e o consumidor asiático. O MGI retornará a cada um desses tópicos em relatórios de pesquisa individuais mais extensos nos próximos meses. Ainda assim, a combinação dessas perspectivas, como a que estamos apresentando neste artigo, dá uma visão mais abrangente de como a região vem evoluindo – além de uma ideia de como ela poderá definir o futuro.

Parte 1

A Ásia está transformando o comércio

Uma pesquisa recente do MGI analisou 23 cadeias de valor da indústria em 43 países e documentou grandes mudanças estruturais nos padrões comerciais do mundo. A Ásia está no centro de muitas dessas mudanças, e as empresas do continente continuarão a reagir a elas durante os próximos anos. Durante a última década, a produção mundial continuou a subir, mas o percentual de bens comercializados entre fronteiras caiu cerca de 5,6 pontos percentuais. Essa redução não reflete disputas comerciais ou assinala a chegada de um período de desaceleração. Ao contrário – ela reflete um desenvolvimento econômico saudável na China, na Índia e no restante dos países emergentes asiáticos.

Com o aumento do consumo, uma parcela maior do que é produzido nesses países é hoje vendida localmente, em vez de ser exportada para o ocidente. Durante a década de 2007 a 2017, a China quase triplicou sua produção de bens intensivos em mão de obra – passando de US$ 3,1 trilhões para US$ 8,8 trilhões. Ao mesmo tempo, o percentual de produtos brutos exportados pela China sofreu uma queda dramática, passando de 15,5% para 8,3%. Da mesma forma, a Índia também tem exportado uma parcela menor de sua produção ao longo dos anos. Isso implica que um volume maior de produtos está sendo consumido internamente, em vez de ser exportado. Ainda, à medida que as economias emergentes da região desenvolvem novas habilidades industriais e começam a produzir produtos mais sofisticados, elas se tornam menos dependentes de importações de insumos e bens acabados de outros países.

A era anterior da globalização foi marcada por empresas ocidentais construindo cadeias de fornecimento que se estendiam por metade do globo na busca por custos de mão de obra o mais baixo possível – e, com frequência, essas cadeias se espalhavam pela Ásia. Hoje, essa arbitragem da mão de obra vem diminuindo. Somente 18% do comércio atual de produtos envolve exportações de países de baixos salários para países de altos salários – um percentual muito inferior ao normalmente esperado pelas pessoas e que, em muitos setores, vem caindo ainda mais.

Com o aumento do consumo, uma parcela maior do que é produzido nesses países é hoje vendida localmente, em vez de ser exportada para o ocidente. Ainda, à medida que as economias emergentes da região desenvolvem novas habilidades industriais, elas se tornam menos dependentes de importações de outros países.

A produção intensiva em mão de obra para exportação foi um grande motor do crescimento da China e tem sido historicamente o caminho mais evidente para o desenvolvimento econômico de países pobres. No entanto, com o aumento dos salários na região e a adoção de maneira mais ampla de tecnologias de automação, as oportunidades para competir com base na mão de obra de baixo custo começaram a se tornar cada vez mais raras.

Para alguns países da região, porém, a janela ainda não se fechou. Com o aumento dos salários na China, e o país passando a desempenhar atividades de maior valor, sua participação no volume global de exportação de produtos intensivos em mão de obra caiu em cerca de três pontos percentuais. Isso criou uma oportunidade para a entrada de outros países no circuito. Na última década, Vietnã, Índia e Bangladesh conseguiram crescer suas exportações de produtos manufaturados intensivos em mão de obra (especialmente têxteis) em taxas anuais de 15%, 8% e 7%, respectivamente (Quadro 1). Essa tendência pode transformar cidades até então desconhecidas em novos polos de produção bastante disputados.

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Ainda assim, infraestrutura, habilidades da força de trabalho e produtividade serão fundamentais para a competitividade na próxima década. Somente a mão de obra de baixo custo não será suficiente. Todas as cadeias de valor da indústria dependem hoje mais intensamente de pesquisa & desenvolvimento e inovação – e o percentual do valor gerado pela produção real de bens tem caído. 3 Essas mudanças, combinadas a uma onda de novas tecnologias de fabricação e logística, significam que países por toda a Ásia terão de alterar suas prioridades de investimento e desenvolver novos tipos de habilidades para competir em um cenário comercial mais intensivo em conhecimento.

As empresas estão cada vez mais focadas na velocidade com que colocam seus produtos no mercado e em melhorar a coordenação e a visibilidade por toda a cadeia de valor – objetivos difíceis de se atingir quando os fornecedores estão do outro lado do mundo. Como resultado, as cadeias de fornecimento têm se tornado mais restritas e concentradas. O comércio intrarregional tem aumentado às custas do comércio de longa distância.

Devido à sua diversidade e à sua extensão geográfica, a Ásia não tem – e provavelmente nunca terá – um mesmo tipo de entidade comercial fortemente integrada como a União Europeia ou o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (NAFTA, na sigla em inglês). Embora o continente seja uma constelação mais solta de países, cooperação e ligações comerciais têm se aprofundado por toda a região. Hoje, 52% do comércio asiático é intrarregional, em comparação a 42% na América do Norte. Isso aponta para uma nova tendência de empresas estabelecendo cadeias de fornecimento regionais e autocontidas para atender aos mercados asiáticos. Essa tendência também indica laços comerciais mais profundos entre os próprios países asiáticos – com muito mais espaço para crescer. A Parceria Econômica Regional Abrangente (RCEP, na sigla em inglês) é um novo acordo de livre comércio que inclui 16 países da região, incluindo China, Índia, Japão e Vietnã.

Apesar da comercialização de produtos ter se estabilizado, são os fluxos de serviço que passam a ser o real tecido conectivo da economia global. De fato, o comércio de serviços está crescendo 60% mais rapidamente do que o comércio de produtos – e o comércio de serviços na Ásia vem crescendo 1,7 vez mais rapidamente do que no resto do mundo. Enquanto a Índia e as Filipinas estão entre os maiores exportadores de serviços de back-office corporativo, na maioria dos países asiáticos o comércio de serviços intensivos em conhecimento ainda está começando, o que representa uma lacuna importante a ser preenchida.

Na pesquisa que realizaremos a seguir, adotaremos uma visão mais holística de como a Ásia vem desenvolvendo redes globais. Dentre as questões para o futuro, estão incluídas:

  • Que tipo de redes estão se formando por toda a Ásia e como elas definirão as tendências globais? Qual o papel que cada país irá desempenhar?
  • Quais as cidades que se tornarão os hot spots do futuro nas diferentes áreas?
  • Como a evolução da Ásia mudará o centro de gravidade de vários setores?

Parte 2

As corporações asiáticas estão em ascensão

O novo papel desempenhado pela Ásia, como descrito anteriormente, reflete a rápida evolução das empresas na região. O crescimento tem ocorrido não apenas do lado da demanda de economias emergentes, mas também do lado da oferta, mudando as dinâmicas competitivas no mundo todo.

Muitas empresas asiáticas hoje estão dentre as maiores do mundo (Quadro 2). Seu histórico é desigual, mas sua presença – tanto em tamanho como em números – está mudando o jogo. No índice da Fortune Global 500 de 2018, 210 das 500 maiores empresas mundiais em termos de receita são asiáticas. A participação da Ásia dentre o grupo de empresas de melhor desempenho em termos globais também subiu de 19% para 30% nas últimas duas décadas. 4

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Também analisamos de forma mais ampla as 5 mil maiores empresas globais. Em 1997, a Ásia era responsável por apenas 36% delas; já em 2017, este número havia passado para 43%. Ainda, os países representados nesse grupo mudaram dramaticamente. A China representa de longe o maior aumento. Mas a Índia também teve um crescimento substancial, e países como Bangladesh, Cazaquistão, Filipinas e Vietnã estão hoje incluídos nesta lista. Por outro lado, metade das maiores empresas do Japão deixaram o grupo.

As empresas asiáticas se tornaram líderes mundiais de mercado não apenas nos setores industriais e automotivo, mas também em áreas como tecnologia, finanças e logística. Nos últimos 20 anos, com o desenvolvimento dessas economias, o mix industrial das grandes empresas da região mudou. A manufatura de bens de capital representa atualmente uma parcela menor da economia da região, enquanto infraestrutura e serviços financeiros cresceram significativamente.

As estruturas societárias, as estratégias de crescimento e os estilos de operação dos gigantes corporativos da Ásia diferem dos apresentados por multinacionais ocidentais de capital aberto. Cerca de 2/3 das 110 empresas chinesas incluídas no índice Fortune 500 são estatais. A região também possui um número expressivo de grandes conglomerados. Juntos, os cinco principais chaebols controlados por grupos familiares da Coréia do Sul representam aproximadamente metade do valor do mercado de ações do país. Da mesma forma, os “seis grandes” keiretsu do Japão têm um peso desigual no mercado de ações japonês – cada um deles possui dezenas de empresas presentes em diversos setores. Todos os principais fabricantes de carros japoneses, por exemplo, estão ligados a um keiretsu. Sozinhos, os seis principais conglomerados da Índia empregam mais de dois milhões de pessoas.

Uma empresa com um acionista controlador – independentemente de ser família, fundador ou estado – pode focar em expandir sua posição via crescimento de receita e é capaz de adotar uma visão de longo prazo para concretizar seu objetivo. Isso contrasta com empresas abertas de capital pulverizado, que precisam responder aos acionistas trimestralmente e estão mais focadas em maximizar seus rendimentos de forma mais imediata.

Apesar do grau variável de envolvimento do governo em economias por toda a região, a concorrência permanece acirrada. Algumas empresas possuem apoio do governo, mas isso está frequentemente ligado a metas de desempenho. Por todo o continente, o índice de rotatividade de empresas no quintil superior de desempenho é cerca de 20 pontos percentuais superior na Ásia do que em economias avançadas do restante do mundo.

A partir de 2005–07, o lucro econômico produzido por empresas asiáticas do quintil superior aumentou cerca de 57% em uma década (em comparação a 33% na América do Norte).

No entanto, como no ocidente, a distribuição do lucro e do prejuízo econômicos é desigual. Uma pesquisa recente do MGI analisou mais de 5 mil dentre as maiores empresas públicas e privadas do mundo com receita anual superior a US $1 bilhão. Esta análise identificou um fenômeno chamado de “superstar”— isto é, um conjunto de empresas que capturam uma parcela mais expressiva da renda e que estão se distanciando de seus pares. A Ásia conta com 30% de todas as empresas superstar globais, o dobro dos 15% que o continente detinha na década de 1990. A maior parte dessas empresas é oriunda da China, da Coréia, da Índia e do Japão. Ao longo do tempo, a região tem produzido um número maior de empresas superstar globais, embora ainda permaneça sub-representada.

O MGI observou que as empresas no decil superior de desempenho estão gerando lucros econômicos 5 maiores do que nunca, enquanto as perdas vêm crescendo dentre aquelas empresas de pior desempenho (sendo que algumas delas são empresas “zumbi”, que na realidade destroem valor). Esse efeito tende a espremer as empresas que estão no meio da distribuição. O fenômeno é global é especialmente pronunciado na Ásia. A partir de 2005–07, o lucro econômico produzido por empresas asiáticas do quintil superior aumentou cerca de 57% em uma década (em comparação a 33% na América do Norte). Enquanto isso, o lucro econômico destruído pelas empresas asiáticas no quintil inferior aumentou sete vezes (em comparação a 2,5 vezes na América do Norte).

A receita produzida pelas empresas superstar da região é sete vezes maior do que a média de seus pares, e seu ROIC é 2,2 vezes maior. Os setores mais predominantes nesse grupo são computadores e eletrônicos, automotivo e bancos. No outro extremo da curva de desempenho, um número substancial de empresas da região está no decil inferior em termos de lucro econômico global. Muitas delas operam nos setores de processamento de recursos naturais, maquinário e equipamentos e imóveis.

O efeito superstar no mundo corporativo é espelhado por disparidades cada vez maiores entre cidades, regiões e segmentos populacionais. A Ásia pode estar replicando alguns dos padrões que já haviam tomado conta do ocidente.

Nas próximas pesquisas, o MGI explorará em maior profundidade o crescimento de empresas asiáticas e buscará respostas para questões importantes para o futuro, dentre as quais:

  • Qual o nível de competitividade das empresas asiáticas em nível global?
  • De que forma sua evolução desafiou as dinâmicas globais?
  • O que significa “vencer” para as empresas asiáticas? Como os modelos de negócio estão evoluindo na região?
  • Como o crescimento do setor corporativo está mudando a sociedade asiática de maneira mais ampla?

Parte 3

A Ásia está moldando o futuro da inovação digital globalmente

A Ásia está online e explodindo. Hoje, ela já possui metade (2,2 bilhões) dos usuários mundiais de internet; a China e a Índia sozinhas representam 1/3 deste contingente (Quadro 3). Os enormes pools de consumidores digitais da região dão suporte a um setor de tecnologia inovador e florescente.

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A China, o Japão, a Coréia do Sul e Cingapura estão dentre os países mais digitalmente avançados do mundo. A China entrou para esse grupo a uma velocidade impressionante. Em termos de comércio eletrônico, por exemplo, há apenas uma década a China era responsável por menos de 1% do valor das transações mundiais; hoje, sua participação é superior a 40%. A penetração de pagamentos por celular entre os usuários de internet da China passou de somente 25% em 2013 para 68% em 2016. Três dos gigantes de internet da China – Baidu, Alibaba e Tencent – estão construindo um rico ecossistema digital que vem se expandindo para além dessas empresas.

A Ásia tem amplo capital de investimento para apoiar o empreendedorismo e as inovações tecnológicas. Em termos de investimento em startups, a China hoje ocupa o segundo lugar, atrás somente dos Estados Unidos. De 2014 a 2016, a China foi responsável por somente 20% do venture capital global. A Índia também está avançando e se aproximando rapidamente dos líderes, contabilizando o triplo do volume de capital investido da Alemanha em 2018. Atualmente, a Ásia é responsável por quase metade dos investimentos globais. A região está entre as principais fontes e destinos de venture capital nas áreas de realidade virtual, veículos autônomos, impressão em 3D, robótica, drones e inteligência artificial (IA).

Centros de inovação estão começando a se formar. A contar de abril de 2019, a Ásia se tornou sede de mais de 1/3 (119) dos 331 “unicórnios” mundiais (startups avaliadas em mais de US$1 bilhão). Dessas empresas, 91 estão na China, 13 estão na Índia, 6 na Coréia do Sul e 4 na Indonésia. Comparativamente, os Estados Unidos possuem 161 unicórnios, enquanto o Reino Unido tem 16 e a Alemanha 9.

A China fez do desenvolvimento de inteligência artificial uma prioridade estratégica e é hoje considerada um dos países líderes nesta área. Coréia do Sul e Cingapura também possuem grandes iniciativas nacionais para desenvolver sua capacidade de inteligência artificial. As ambições do Japão vão igualmente nessa linha – o país anunciou recentemente novos cursos em suas universidades e escolas técnicas, visando formar 250 mil alunos proficientes em IA por ano. Apesar de toda essa atividade e inovação, aproximadamente dois bilhões de pessoas por toda a região não possuem acesso à internet, incluindo muitos residentes de zonas rurais da Índia, da China e da Indonésia. Construir infraestrutura digital de suporte que ultrapasse o perímetro das grandes cidades e dar condições para que um número maior de pessoas possa se conectar é uma questão importante tanto para o desenvolvimento econômico como para o humano.

No entanto, mesmo aqueles países mais atrasados em tecnologia estão se tornando digitais rapidamente. Inovações do setor privado estão levando serviços possibilitados pela internet a milhões de consumidores, tornando o uso online mais acessível. Com o desenrolar desse processo, está sendo criado um ambiente principalmente via telefone móvel, com populações inteiras pulando por completo o estágio de uso de computador e banda larga em favor do emprego de celulares e de seus aplicativos.

A Indonésia e a Índia ultrapassaram o restante do mundo em termos da velocidade de adoção digital nos últimos três anos – e à medida que novos usuários passam a entrar na internet, eles rapidamente se tornam mais conhecedores do mundo digital. Só na Índia, o número de assinantes de internet quase dobrou desde 2014, chegando a 560 milhões. Seu uso de dados por celular está crescendo a uma taxa de 152% anualmente – mais de duas vezes as taxas observadas nos Estados Unidos.

Em um passo promissor, que pode servir de modelo para outros países asiáticos ainda nos estágios iniciais de sua jornada rumo à digitalização, o governo indiano conseguiu matricular mais de 1,2 bilhão de pessoas em um programa de identidade biométrica digital. Com isso, muitas pessoas passaram a ter uma identidade legal pela primeira vez na vida, possibilitando a elas acesso ao sistema bancário, a crédito, a programas de benefícios governamentais, à educação e a outros serviços. A Índia também inseriu mais de dez milhões de empresas em uma plataforma digital comum por meio de um imposto sobre produtos e serviços. Iniciativas desse tipo podem acelerar o processo de digitalização de forma mais ampla em economias inteiras.

Independentemente de serem líderes digitais ou retardatários nesta área, para os países da região, a próxima etapa dessa jornada é ir além do uso por parte de consumidores e estimular a adoção mais ampla de ferramentas digitais em setores tradicionais – da agricultura ao varejo e à logística. Da mesma forma, os setores público e social podem continuar a empregar sistemas digitais para tornar os serviços de saúde e governamentais mais eficientes. O objetivo é explorar as ferramentas com tecnologia mais avançada para acelerar a produtividade de uma forma que tenha mais significado.

Centros de inovação estão começando a se formar. A contar de abril de 2019, a Ásia se tornou sede de mais de 1/3 (119) dos 331 “unicórnios” mundiais (startups avaliadas em mais de US$1 bilhão). Destas empresas, 91 estão na China, 13 estão na Índia, 6 na Coréia do Sul e 4 na Indonésia.

Países asiáticos estão chegando à vanguarda em termos de tecnologia e inovação. Na próxima fase de nossa pesquisa, o MGI irá explorar algumas questões com relação ao futuro, incluindo:

  • Onde surgirão versões do Vale do Silício na Ásia? De que forma elas serão distintas dos centros de startups presentes em outras partes do mundo?
  • Qual o nível de competitividade do ambiente de inovação da Ásia? Quem é a força motriz em termos de inovação no continente?
  • Como as empresas inovadoras da Ásia operam e lideram?
  • O que as empresas e os formuladores de políticas podem fazer para acelerar a adoção de ferramentas digitais – tanto básicas como avançadas – de forma a alavancar o crescimento da produtividade?

Parte 4

Os consumidores asiáticos são uma força na economia global

Nas últimas duas décadas, os níveis de pobreza mundiais caíram dramaticamente. Cerca de 1,2 bilhão de pessoas foram alçadas à classe consumidora – isso significa que chegaram a um nível de renda no qual podem começar a fazer compras eletivas substanciais. Este é um dos maiores casos de sucesso da história – e é um caso especialmente asiático.

Hoje, essa legião de domicílios está acionando seu poder de compra. Segundo projeções da McKinsey, a região deverá ser responsável por 50% de todo o crescimento de consumo global esperado para a próxima década. Até 2030, estima-se que a região alavanque mais da metade do crescimento do consumo global (Quadro 4).

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A crescente classe média asiática contará, em breve, com três bilhões de pessoas. Somente o sul da Ásia contava com aproximadamente 80 milhões de domicílios na classe consumidora há alguns anos. Esse número deverá dobrar para 163 milhões de domicílios até 2030 – particularmente com a Indonésia gerando dezenas de milhões de novos consumidores prósperos.

A região é um dos mercados mais importantes para empresas internacionais. Há tempos que os consumidores asiáticos possuem grande preferência por marcas e produtos de luxo estrangeiros. Mas as coisas estão mudando. A geração pós-anos 90 está começando a perder esse preconceito contra marcas nacionais; de fato, estes consumidores passaram a preferir mais frequentemente marcas nacionais em vez das estrangeiras. Independentemente de serem asiáticas ou ocidentais, as marcas precisam de estratégias altamente focadas para ter sucesso em uma região tão diversa e fragmentada – onde economias ricas e avançadas já possuem canais de varejo e marcas bem desenvolvidos, mas novos consumidores de economias em desenvolvimento ainda precisam adquirir muitos elementos básicos.

O aumento de consumo mais impressionante ocorreu na China. Uma pesquisa anterior conduzida pelo MGI destacou a população em idade produtiva da China como um dos grupos demográficos fundamentais em termos de consumo global. Até 2030, esse grupo pode ser responsável por 12 centavos de cada US$ 1 do consumo urbano no mundo. A crescente riqueza na China criou uma classe afluente de consumidores aspiracionais. Em 2018, menos de 30 milhões de consumidores chineses foram responsáveis por 1/3 do gasto mundial em produtos de luxo – e projeções da McKinsey indicam que seus gastos podem praticamente duplicar até 2025.

O “consumidor asiático” não pode ser facilmente caracterizado. A população sênior da região, por exemplo, deverá alavancar 15% do crescimento do consumo global, agregando algo em torno de US$660 bilhões ao que já gastam hoje. Já a Geração Z da Ásia apresenta valores e comportamentos de compra distintos. Eles cresceram com um nível de riqueza sem precedentes, maior exposição à cultura ocidental e familiaridade com o meio digital. As compras de luxo de consumidores chineses jovens são altamente influenciadas pelo consumo de mídia e por seu desejo de serem vistos e fotografados portando a última moda.

O “consumidor asiático” não pode ser facilmente caracterizado. A população sênior da região, por exemplo, deverá alavancar 15% do crescimento do consumo global, agregando algo em torno de US$660 bilhões ao que já gastam hoje. Já a Geração Z da Ásia apresenta valores e comportamentos de compra distintos.

Mercados de consumo da região estão experimentando não apenas um crescimento imenso, mas também mudanças dinâmicas, com novos consumidores passando rapidamente do estágio de compra de produtos básicos, estabelecendo novos laços de fidelidade a marcas e chegando ao ponto de poder comprar alguns produtos por puro prazer e expressar sua visão de moda e estilo próprios. Enquanto as empresas lutam para atender expectativas cada vez mais elevadas, os consumidores asiáticos deverão passar a definir as tendências para o resto do mundo.

A próxima pesquisa do MGI sobre consumo na Ásia vai explorar algumas questões sobre o futuro, incluindo:

  • Que grupos de consumidores serão os principais impulsionadores do crescimento futuro?
  • Qual o tamanho dos mercados de experiências, serviços e dados que estão surgindo? Como as empresas poderáo ter acesso a eles?
  • De que forma a ascensão da Geração Z irá moldar os futuros padrões de consumo na Ásia? De que maneira a Geração Z da Ásia é diferente de seus pares ocidentais?
  • Como a Ásia está envelhecendo? De que forma essa onda irá mudar os padrões de consumo?

A Ásia é um centro de comércio global, sede de algumas das principais empresas do mundo, a parcela da internet que está crescendo mais rápido e o motor por trás do crescimento do consumo mundial. Nos próximos meses, o MGI retomará esses temas com uma série de relatórios de pesquisa detalhados. Esperamos poder desvendar não apenas a trajetória futura da região, mas também como a Ásia está colocando sua própria marca na economia mundial.

Sobre o(s) autor(es)

Oliver Tonby é sócio sênior do escritório de Cingapura da McKinsey; Wonsik Choi é sócio sênior do escritório de Seul; Jonathan Woetzel é diretor do McKinsey Global Institute, onde Jeongmin Seong é fellow sênior; e Patti Wang é consultora.