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McKinsey Global Institute

A China e o mundo: a dinâmica de uma relação em transformação

A relação entre a China e o resto do mundo está mudando e pode haver muito valor em jogo, dependendo de um nível maior ou menor de envolvimento. Os negócios precisarão se adequar a um cenário de incerteza futura.

A relação entre a China e o mundo está mudando. O novo Índice de Exposição entre a China e o Mundo elaborado pelo McKinsey Global Institute (MGI) mostra que a exposição relativa do mundo à China aumentou, ao passo que a exposição da China ao mundo diminuiu. Essas mudanças na exposição são acompanhadas de sinais de desgaste na relação entre as duas partes. Vemos disputas comerciais nas notícias diárias, o surgimento de novas regras para avaliar os fluxos de tecnologia, a ascensão do protecionismo e o acirramento das tensões geopolíticas. O futuro é incerto. Poderíamos estar no nível máximo da integração entre a China e o resto do mundo após anos de aprofundamento dos laços? Por outro lado, que oportunidades um maior envolvimento poderia oferecer? Que valor pode estar em jogo para todos os players?

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A dinâmica da relação em mudança entre a China e o resto do mundo

O relatório China and the world: Inside the dynamics of a changing relationship (PDF–8.2MB) examina o estado da integração da China com o mundo em oito dimensões e conclui que, embora a China tenha alcançado escala, isso nem sempre se traduziu em integração global. A pesquisa estabelece evidências de uma mudança na exposição da China ao resto do mundo e vice-versa, além de estimar o valor que poderia estar em jogo com um nível maior ou menor de envolvimento. Finalmente, a pesquisa oferece ideias de como as empresas poderiam responder a uma nova era de incertezas. Essa análise se baseia na pesquisa anterior do MGI sobre a mudança das cadeias globais de valor, que discutiu o “novo efeito China” que está impulsionando o crescimento da demanda global e alcançando um novo nível de maturidade nos respectivos setores.

Baixe o resumo em mandarim (PDF–480KB)

Baixe o sumário executivo em mandarim (PDF–2.9MB)

Seção 1

A China é uma potência global em termos de escala, mas essa escala nem sempre se traduz em integração

A China tornou-se a maior economia do mundo em termos de paridade de poder de compra em 2014. Em termos nominais, o PIB da China era 66% superior ao dos Estados Unidos em 2018, o que fazia dela a segunda maior economia do mundo. No Índice de Conectividade do MGI, que classifica a participação por fluxos de bens, serviços, finanças, pessoas e dados, a China foi o 9º país mais conectado do mundo em 2017. Em 2018, a China foi responsável por 16% do PIB mundial. Porém, a jornada da China para essa posição global de destaque foi cheia de altos e baixos. Para avaliar a extensão da integração da China com o resto do mundo, analisamos oito dimensões da escala global e da integração global da China (Quadro 1).

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  1. Comércio. A China, sem dúvida, tornou-se um grande player global no comércio, como fornecedor e como mercado. O país tornou-se o maior exportador mundial de bens em 2009 e o maior comercializador de bens em 2013. A participação da China no comércio mundial de bens aumentou de 1,9% em 2000 para 11,4% em 2017. Em uma análise de 186 países, a China é a maior destino de exportação de 33 países e a maior fonte de importações de 65 países. No entanto, a exposição comercial à China varia substancialmente por região e setor. A China tem um impacto desproporcionalmente alto em regiões específicas (especialmente as mais próximas) e setores, notadamente aquelas com cadeias de tecnologia globalmente integradas e setores exportadores de recursos para os quais a China é um grande mercado. A escala global da China no comércio de serviços não é tão significativa quanto no comércio de bens. O país se tornou o quinto maior exportador de serviços do mundo com US$ 227 bilhões de exportações em 2017, o triplo do valor de 2005. Além disso, a China importou US$ 468 bilhões em 2017, tornando-se o segundo maior importador de serviços do mundo. Porém, a participação da China no comércio global de serviços é de 6,4%, cerca de metade da sua participação no comércio de bens.
  2. Empresas. Muitas empresas chinesas alcançaram escala global. Considere-se que, em 2018, havia 110 empresas da China continental e de Hong Kong no Global Fortune 500, um total que se aproximava dos 126 dos EUA. Em 2018, o MGI constatou que a China respondia por 10% das empresas globais do primeiro percentil de lucro econômico entre 2014 e 2016; entre 1995 e 1997, essa porcentagem estava abaixo de 1%. Entretanto, embora a parcela da receita dessas empresas obtida fora da China tenha aumentado, ela ainda é de menos de 20%, mesmo no caso dessas empresas globais. Contextualizando, a porcentagem média da receita obtida no exterior entre as empresas do S&P 500 é de 44%. Ademais, apenas uma empresa chinesa está entre as 100 marcas mais valiosas do mundo.
  3. Finanças. A China também foi a segunda maior fonte de IED outbound e o segundo maior destinatário de IED inbound de 2015 a 2017. No entanto, o sistema financeiro da China ainda está longe de ser globalizado. A participação estrangeira representava apenas cerca de 2% do sistema bancário chinês, 2% do mercado chinês de títulos e cerca de 6% do mercado acionário chinês em 2018. Além disso, em 2017, seus fluxos de entrada e saída de capital (incluindo IED, empréstimos, dívida, capital e ativos de reserva) equivaliam a apenas cerca de 30% desses fluxos dos Estados Unidos.
  4. Pessoas. Os fluxos de pessoas entre a China e o resto do mundo (estudantes e turistas) estão aumentando rapidamente. A China é hoje a maior fonte de pessoas que vão estudar no exterior (545 mil em 2017) e de turistas (150 milhões de viagens em 2018). Por outro lado, os estudantes e turistas que vão para o país respondem apenas por uma pequena parte dos totais globais: apenas 3% da população estudantil global e 4% das viagens internacionais realizadas em 2017 têm a China como destino. Apesar dos grandes fluxos para fora do país, os destinos dos estudantes chineses são altamente concentrados entre Estados Unidos, Austrália e Reino Unido, que recebem, juntos, cerca de 60% de todos os estudantes chineses vivendo no exterior. Em 2017, metade das viagens realizadas por turistas chineses foi para a área da Grande China, e 29% para a Ásia. Os fluxos migratórios foram pequenos. Os emigrantes chineses representavam 2,8% do total da população migrante global, e os imigrantes para a China representavam 0,2% desse total.
  5. Tecnologia. A escala da China em gastos com P&D subiu acentuadamente — os gastos com P&D doméstico subiram de US$ 9 bilhões em 2000 para US$ 293 bilhões em 2018, o segundo maior do mundo — diminuindo assim a diferença com os Estados Unidos. Porém, a China ainda depende da importação de algumas tecnologias básicas, como semicondutores e dispositivos ópticos, e de propriedade intelectual (PI) estrangeira. Em 2017, a China incorreu em US$ 29 bilhões em encargos de importação de PI, enquanto recolhia apenas cerca de US$ 5 bilhões em tarifas de exportação de PI (17% de suas importações). Os contratos de importação de tecnologia da China são altamente concentrados geograficamente, com mais de metade das compras de P&D no exterior provenientes de apenas três países: 31% dos Estados Unidos, 21% do Japão e 10% da Alemanha.
  6. Dados. A China abriga a maior população mundial de usuários da internet, com mais de 800 milhões de pessoas conectadas à rede. No entanto, apesar do crescimento recente, os fluxos de dados que cruzam suas fronteiras ainda são limitados por restrições. A China está entre as oito maiores do mundo em fluxo de dados em termos de largura de banda, mas esses fluxos ainda são pequenos em comparação com o grande tamanho da sua economia digital: apenas 20% do fluxo de dados dos EUA.
  7. Impacto ambiental. A China é a maior fonte de emissões de carbono do mundo desde 2006 e hoje representa 28% do total global. Ela vem investindo pesadamente em energias renováveis. Em 2017, esse investimento foi de cerca de US$ 127 bilhões, 45% do total global. Além de estar motivada por seu compromisso como signatária do Acordo de Paris, em que se comprometeu a reduzir sua intensidade de carbono em 40% a 45% de 2005 a 2020 — um marco que conseguiu atingir até o final de 2017 —, a China está tentando fazê-lo por conta de questões internas, como a poluição.
  8. Cultura. A China investiu pesadamente na construção de uma presença cultural global. Considere-se que o número de unidades do Instituto Confúcio em todo o mundo aumentou de 298 em 2010 para 548 em 2017. Além disso, o financiamento da indústria global de entretenimento levou a um aumento no número de filmes realizados na China: em 2017, 12% dos 50 filmes de maior sucesso no mundo foram filmados pelo menos em parte na China, em comparação com 2% em 2010. No entanto, os significativos investimentos realizados ainda não parecem ter levado a uma relevância cultural global. As exportações chinesas de dramas televisivos em termos do valor das exportações são apenas cerca de um terço do equivalente da Coreia do Sul, e o número de assinantes dos músicos do top ten chinês em uma plataforma global de streaming equivale a apenas 3% dos assinantes de artistas do top ten sul-coreano, por exemplo.

Seção 2

A relação entre a China e o mundo está mudando

Concentrando-se em três das oito dimensões, o MGI analisou a exposição mútua da China e do resto do mundo em comércio, tecnologia e capital. De 2000 a 2017, a exposição do mundo à China aumentou nos três itens, enquanto a da China caiu (Quadro 2). O novo Índice de Exposição entre a China e o Mundo do MGI mede a importância relativa desses fluxos econômicos para as economias chinesa e global em comparação com outras grandes economias. O índice agregado do resto do mundo subiu de 0,4 em 2000 para 1,2 em 2017, enquanto a exposição da China ao mundo atingiu o pico de 0,9 em 2007 e caiu para 0,6 em 2017.

A diminuição da exposição da China reflete, em parte, o reequilíbrio da sua economia com o aumento do consumo interno. Em 11 dos 16 trimestres desde 2015, o consumo interno contribuiu com mais de 60% do crescimento total do PIB. Em 2017 a 2018, cerca de 76% do crescimento do PIB deveu-se ao consumo interno, enquanto o comércio líquido contribuiu negativamente para o crescimento do PIB

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A diminuição da exposição da China reflete, em parte, o reequilíbrio da sua economia com o aumento do consumo interno. Em 11 dos 16 trimestres desde 2015, o consumo interno contribuiu com mais de 60% do crescimento total do PIB. Em 2017 a 2018, cerca de 76% do crescimento do PIB veio do consumo interno, enquanto o comércio líquido contribuiu negativamente para o crescimento do PIB. Já em 2008, o superávit comercial líquido da China respondia por 8% do PIB; até 2018, esse número foi estimado em apenas 1,3% — menos do que a Alemanha ou a Coreia do Sul, onde os superávits comerciais líquidos respondem por um percentual entre 5% e 8% do PIB. O aumento da demanda e o desenvolvimento de cadeias de valor internas na China também explicam, em parte, o recente declínio da intensidade do comércio no nível global. O país está consumindo uma parcela maior da sua produção. Essas são mudanças significativas que alteram as prioridades da China e mudam a dinâmica de seu relacionamento com o mundo.

O declínio da exposição da China também reflete a realidade de que sua economia ainda está relativamente fechada em comparação com as economias desenvolvidas. Após ingressar na Organização Mundial do Comércio (OMC), a China reduziu as tarifas do comércio de uma média de 16% em 2000 para cerca de 9% em 2008. Porém, desde então a tarifa média subiu para 10,6% em 2017 (embora possa cair novamente para 7,5% após o anúncio, em 2018, de uma nova rodada de cortes tarifários), de acordo com a UNCTAD. Em contraste, a tarifa média dos EUA e da UE foi de cerca de 3% a 4% em 2017. Em relação ao capital, apesar da abertura, as barreiras persistem. O Índice de Restritividade Regulamentar de IED da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para serviços passou de 0,74 a 0,39, mas continua muito acima da média da OCDE, de 0,08. Observamos que houve movimentos recentes para aliviar restrições, como o progresso na adoção de uma abordagem de “lista negativa,” que talvez ainda não tenham sido capturados pelo índice.

A crescente exposição do resto do mundo à China reflete a crescente importância do país como mercado, fornecedor e provedor de capital. A China responde por 35% da produção industrial global. Apesar de representar apenas 10% do consumo global das famílias, a China foi a fonte de 38% do crescimento do consumo global das famílias de 2010 a 2016, segundo dados do Banco Mundial. Além disso, em algumas categorias, incluindo automóveis e telefones celulares, a participação da China no consumo global é de 30% ou mais. Ela é, como dissemos, a segunda maior fonte de IDE do mundo e foi seu segundo maior destinatário entre 2015 e 2017. No entanto, a exposição à China varia entre setores e países, de acordo com nossa análise de 73 economias e 20 setores.

Seção 3

As cadeias de valor de tecnologia da China são altamente integradas em nível global

A China fez grandes progressos em inovação nos últimos anos. Ela é uma força global na economia digital e nas tecnologias de inteligência artificial (IA). Em muitos tipos de tecnologia, o país já é o maior consumidor (respondeu por 40% das vendas mundiais de celulares em 2017, 64% das vendas de veículos elétricos a bateria e 46% do consumo de semicondutores). O acesso ao mercado chinês proporcionou oportunidades significativas de crescimento a muitos players do setor de alta tecnologia. De acordo com um índice MSCI, o setor de tecnologia da informação dos EUA obtém 14% de sua receita na China.

Como as cadeias de valor de tecnologia estão entre as mais complexas, elas exigem mais colaboração e, de fato, a China é altamente integrada a essas cadeias, responsável por uma grande parcela das exportações e importações globais de tecnologia. Considere, por exemplo, que no caso de circuitos integrados e dispositivos ópticos as importações chinesas superam a produção doméstica por um fator de cinco.

A tecnologia está indiscutivelmente no centro do relacionamento – em processo de mudança – entre a China e o mundo. Como a China está altamente exposta a fluxos estrangeiros de tecnologia, ela precisa de acesso continuado — ou mesmo aprimorado — a tecnologias para incentivar a inovação e aumentar a produtividade. O resto do mundo — notadamente as economias avançadas — começou a prestar cada vez mais atenção ao rápido desenvolvimento tecnológico da China. Foi aprovada uma nova legislação para avaliar mais de perto o investimento chinês que acessa tecnologia estrangeira. Há muito interesse em saber se as cadeias de valor de tecnologia da China estão se separando das cadeias de valor globais, bem como muito interesse nos objetivos declarados da China de localizar os setores de tecnologia. O plano Made in China 2025 define metas para a participação de mercado de players locais de 40% a 90% em 11 dos 23 subsetores priorizados pelo governo.

Em muitos aspectos, os mercados de tecnologia da China já parecem estar localizados, mas o grau de localização varia. No caso de painéis solares, trens de alta velocidade, sistemas de pagamento digital e veículos elétricos, os chineses representam mais de 90% do mercado interno. Em outros segmentos, incluindo semicondutores e fabricação de aeronaves, os players chineses ainda têm uma participação de mercado muito pequena, tanto em nível nacional quanto internacional, e dependem fortemente de tecnologia estrangeira. Na maioria das cadeias de valor que estudamos, a China ainda tem muito espaço para melhorar sua presença global. No ponto mais alto, a China tem até 50% do mercado do resto do mundo (no caso de painéis solares); no ponto mais baixo, sua participação de mercado no exterior é inferior a 1% (no caso da fabricação de aeronaves) (Quadro 3).

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Para medir a integração da China com o resto do mundo em cadeias de valor de tecnologia, o MGI estudou 81 tecnologias de 11 áreas e descobriu que a China usa normas globais em mais de 90% delas. Nos setores em que as normas da China divergem das globais – o que ocorre numa minoria dos casos – os drivers econômicos explicam a diferença. Na fabricação de cloreto de polivinila (PVC), por exemplo, os custos associados à adoção do processo baseado em carvão são menores do que os custos do processo baseado em etileno, o mais comum em outros países, porque a China tem carvão em abundância. Também observamos que os fornecedores chineses são capazes de fornecer de 60 a 80% das tecnologias estudadas, o que significa que a China ainda usa insumos de empresas multinacionais em pelo menos 20% a 40% dos casos.

A experiência de várias partes do mundo sugere que quatro elementos precisam estar presentes para impulsionar a cadeia de valor de tecnologia: (1) investimento em escala; (2) canais através dos quais se possam adquirir tecnologia e know-how; (3) acesso a grandes mercados e (4) um sistema eficaz para incentivar a concorrência e a inovação. Analisando os quatro elementos em todos os setores tecnológicos da China, observamos que o país tem escala considerável em termos de investimento (o primeiro elemento) e mercado (o terceiro elemento). A China tem capacidade de apoiar muito investimento em P&D tecnológico e também de criar novos mercados para comercializar essas tecnologias. Portanto, para subir na cadeia de valor, é fundamental que a China consiga progredir no desenvolvimento e aquisição de tecnologia e know-how básicos (o segundo elemento) e na criação de um sistema eficaz que garanta a seu ecossistema a dinâmica competitiva necessária para estimular a inovação (o quarto elemento). Nos dois casos, a participação em cadeias de valor globais e fluxos mais fortes de capital, conhecimento e talento poderiam acelerar o avanço da cadeia de valor da China.

Seção 4

O consumo da China, em rápida expansão, oferece oportunidades significativas para players nacionais e estrangeiro

O mercado consumidor da China — confiante, cada vez mais sofisticado, enriquecendo gradualmente e disposto a experimentar — está em rápida expansão e proporciona uma conexão forte entre a China e o mundo. Ele não apenas é o motor principal do crescimento econômico, mas também representa uma grande oportunidade para empresas internacionais. Até 2030, 58% dos lares chineses provavelmente estarão na categoria de afluentes em massa ou acima (definidos como famílias com renda mensal disponível de 18 mil renminbis), superando a participação sul-coreana atual, de 55%. O perfil de gastos dos consumidores chineses urbanos está convergindo com aquele de seus equivalentes em cidades do mundo todo.

Os mercados consumidores da China já estão fortemente integrados ao mundo, e a penetração das corporações multinacionais é considerável. Nas dez grandes categorias de consumidores, sua penetração média foi de 40% em 2017, em comparação com apenas 26% nos Estados Unidos. Em algumas categorias, a penetração é ainda maior; em beleza e cuidados pessoais, por exemplo, a penetração das multinacionais chega a 73% (Quadro 4).

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No entanto, a entrada de mais multinacionais no mercado chinês catalisou o desenvolvimento de empresas e marcas locais. Segundo nosso estudo de 30 categorias de bens de consumo, as marcas estrangeiras perderam participação em 11 categorias nos últimos anos.

Os mercados consumidores da China já estão fortemente integrados ao mundo, e a penetração das corporações multinacionais é considerável. Nas dez grandes categorias de consumidores, sua penetração média foi de 40% em 2017, em comparação com apenas 26% nos Estados Unidos.

Destacamos duas tendências que oferecem oportunidades de negócios significativas para players nacionais e estrangeiros:

  • Os consumidores chineses exigem opções de bens e serviços melhores e mais numerosas. Conforme a renda aumenta, os consumidores querem mais opções e, embora se fale do “downgrade do consumo”, descobrimos que ainda há evidências de uma tendência na direção contrária. A Pesquisa Global de Percepção do Consumidor da McKinsey de 2018 mostrou que o consumo de 26% dos entrevistados chineses passava por um upgrade, em comparação com 17% em dez outras grandes economias. Em alguns casos, os consumidores chineses não estão satisfeitos apenas com marcas domésticas, em parte devido à percepção de problemas de qualidade e à falta de opções — atitudes observadas tanto em relação a bens quanto a serviços. Um canal em rápido crescimento que permite aos consumidores chineses acessar mercadorias do exterior é o comércio eletrônico entre fronteiras nacionais. De 2015 a 2017, as importações do varejo por comércio eletrônico internacional quase dobraram, chegando a 111 bilhões de renminbi, de acordo com dados da iResearch. Os serviços são a próxima fronteira para a concorrência, levando a uma maior qualidade. Os setores de serviços chineses ainda estão atrás de seus equivalentes em outros países, com produtividade de apenas 20% a 50% dentro da média da OCDE.
  • Um número cada vez maior de chineses viaja para o exterior e gasta mais. Os fluxos crescentes de pessoas da China — especialmente estudantes e turistas — são uma oportunidade de expansão dos negócios para as empresas dos países de destino. A China já é a maior fonte de turistas de todo o mundo. Seus gastos podem ser equivalentes a um montante de 7% a 9% do consumo privado interno no caso de Cingapura e Tailândia, respectivamente. Os estudantes vindos da China também podem causar um impacto significativo em outras economias. As exportações australianas de educação para a China somaram 10 bilhões de dólares australianos em 2017 (não incluindo o gasto adicional de estudantes chineses no dia a dia). As empresas podem aproveitar essas tendências e oferecer produtos adaptados ao gosto chinês.

Seção 5

O valor em jogo pode ser significativo, conforme o nível de envolvimento entre a China e o resto do mundo

A relação entre a China e o resto do mundo parece estar entrando em uma nova fase. No resto do mundo — especialmente nas economias avançadas — há discussões sobre as consequências não pretendidas da globalização e sobre a distribuição desigual de benefícios e, nos Estados Unidos, preocupações com a perda de empregos na manufatura com o “choque da China”. Várias grandes economias estão implementando uma legislação que submete acordos de investimentos estrangeiros — principalmente se incluírem tecnologia considerada estrategicamente importante — a uma revisão mais rigorosa. Esses desdobramentos poderiam anunciar um menor envolvimento entre a China e o mundo. Porém, esse afastamento não é inevitável.

Destacamos cinco opções para a China e o resto do mundo que poderiam levar a mais ou menos envolvimento e simulamos o valor econômico potencial que poderia ser criado ou perdido com essas opções. As cinco áreas em que a China poderia ter mais (ou, inversamente, menos) envolvimento são: (1) crescimento como destino de importação; (2) liberalização dos serviços; (3) globalização dos mercados financeiros; (4) colaboração em bens públicos globais e (5) fluxos de tecnologia e inovação.

Os resultados da nossa simulação, que usa o Modelo de Crescimento Global da McKinsey e calibra seus resultados com pesquisas externas, sugerem que um envolvimento maior ou menor entre a China e o mundo nessas cinco áreas tem o potencial de gerar um valor econômico para o mundo de US$ 22 trilhões a US$ 37 trilhões até 2040 — equivalente a 15% a 26% do PIB. Observamos que nossas estimativas do valor em questão são o resultado de uma simulação baseada em um conjunto específico de condições e premissas e não devem ser consideradas previsões (Quadro 5).

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Nos dois possíveis cenários — de maior ou menor envolvimento — haverá vantagens e desvantagens para diferentes stakeholders. Um menor envolvimento entre a China e o mundo, por exemplo, poderia beneficiar os países do Sudeste Asiático com o aumento da demanda por suas exportações. Por outro lado, um maior envolvimento entre a China e o resto do mundo poderia criar choques de curto prazo para trabalhadores e empresas chinesas em certos setores à medida que o país importa mais do resto do mundo.

  1. Crescimento como destino de importação. A China poderia se desenvolver como um importante destino para importações de economias emergentes e avançadas; com menor envolvimento, os fluxos de comércio global poderiam se contrair. Simulamos que o valor em jogo para o comércio poderia ser de US$ 3 trilhões a US$ 6 trilhões.
  2. Liberalização dos serviços. A China — e os players estrangeiros — poderiam se beneficiar da liberalização dos serviços. Se os serviços continuassem restritos, a China continuaria a operar em uma lacuna de produtividade em relação às economias desenvolvidas. Nossa simulação sugere que entre US$ 3 trilhões e US$ 5 trilhões podem estar em jogo devido a um maior ou menor envolvimento global com os serviços chineses.
  3. Globalização dos mercados financeiros. Uma maior globalização e modernização do sistema financeiro da China poderia ampliar a escolha e alocar capital de forma mais eficiente. A opção de não fazer isso poderia causar mais volatilidade e baixo crescimento da produtividade. Simulamos que, em geral, o valor em jogo poderia ser de US$ 5 trilhões a US $ 8 trilhões.
  4. Colaboração em bens públicos globais. A China poderia aumentar sua contribuição à solução de desafios globais. Em um cenário de menor envolvimento, a liderança e a colaboração seriam mais fracas. Simulamos que entre US$ 3 trilhões e US$ 6 trilhões poderiam estar em jogo com maior ou menor envolvimento global com a China. Um possível resultado seria uma colaboração global mais ampla em tópicos relacionados a bens públicos globais, como mudanças climáticas e infraestrutura.
  5. Fluxos de tecnologia e inovação. Os fluxos globais de tecnologia entre a China e o resto do mundo poderiam crescer, o que apoiaria o desenvolvimento de soluções globalmente competitivas que aumentassem a produtividade; em outro cenário, a redução dos fluxos de tecnologia poderia prejudicar a produtividade global. Simulamos que de US$ 8 trilhões a US$ 12 trilhões podem estar em jogo, dependendo de como os fluxos de tecnologia estimulem a inovação e o crescimento da produtividade.

Notamos que essas escolhas e cenários — e os resultados que provocam — refletem não apenas ações e reações da China, mas também do resto do mundo. É tarefa de todos reformar alguns aspectos do sistema global de comércio de forma a torná-lo mais eficaz na resolução de disputas e mais inclusivo. Assim, os benefícios de qualquer abertura adicional de sua economia pela China podem ser capturados e compartilhados amplamente. Se a China globalizar seu setor financeiro, o resto do mundo deverá estar mais aberto ao investimento chinês. No combate às mudanças climáticas, todos os países precisam se comprometer com metas e marcos específicos para evitar uma situação em que alguns países busquem seus próprios interesses em detrimento do mundo como um todo. A magnitude dos fluxos de tecnologia e de PI entre a China e o resto do mundo está sujeita à postura assumida por cada país envolvido nesses fluxos em relação ao investimento ligado à tecnologia e à segurança nacional.

Seção 6

As empresas precisam considerar sua abordagem diante de uma relação mais incerta entre a China e resto do mundo

Dada a incerteza e o risco potencial da mudança do relacionamento entre a China e o mundo, as empresas podem precisar adaptar sua abordagem. Quatro áreas devem ser consideradas:

  • Avaliar a exposição a curto e longo prazo ao relacionamento entre a China e o resto do mundo. Para compreender o provável impacto da mudança nas relações entre a China e o resto do mundo, as empresas devem antes avaliar seu nível de exposição ao relacionamento entre a China e o mundo. Essa exposição pode assumir muitas formas. Nas oito dimensões da escala e integração da China, existem métricas específicas que as empresas podem examinar e acompanhar. Dependendo de sua exposição, as empresas podem avaliar riscos e benefícios para o negócio, dependendo dos diferentes cenários de envolvimento. Mesmo diante da volatilidade e da incerteza do curto prazo, as empresas também devem incorporar uma visão de longo prazo sobre elementos fundamentais. Quais tendências de longo prazo — incluindo aumento de renda, fluxos de tecnologia e acirramento da concorrência local — podem ter um impacto sobre o negócio?
  • Determinar o investimento e a postura da cadeia de valor. Dados os cenários e o valor em jogo para todas as empresas, os executivos devem determinar sua estratégia na China em termos de comprometimento de investimento em comparação com outros países, bem como o papel que a China deve desempenhar nas cadeias globais de valor da empresa. Eles devem definir aspirações claras para a China: querem, por exemplo, fazer do país seu principal motor de crescimento ou querem estar presentes apenas em áreas de nicho? Eles poderiam otimizar o investimento como parte de uma estratégia de longo prazo, potencialmente investindo mais e intensificando atividades essenciais de criação de valor. Isso pode ser feito, por exemplo, impulsionando a inovação e P&D, caso a China continue sendo uma importante fonte de crescimento e inovação. Caso contrário, a mudança de atividades de negócios e investimentos para outras geografias também poderia ser considerada.
  • Desenvolver a excelência operacional necessária para gerenciar riscos e incertezas. Dado o aumento da incerteza regulatória e econômica, as empresas precisam ser muito mais ágeis na entrega de sua proposta de valor. Governos de todo o mundo desempenham um papel cada vez mais importante no investimento transnacional, fusões e aquisições e fluxos de tecnologia e pessoas. As empresas precisam prestar atenção ao contexto local em que estão operando, pois ele pode mudar rapidamente, as sensibilidades podem se intensificar e podem ser cometidos erros operacionais que, no passado, poderiam ser facilmente corrigidos e contidos mas que nesta nova era podem escalar rapidamente, chamando a atenção dos stakeholders. Eles podem pensar em ajustar seu footprint operacional, devem ser ágeis ao realizar mudanças e precisam dedicar mais recursos à gestão de riscos.
  • Adotar e manter a mentalidade de sobrevivente As empresas que prosperaram apesar da recessão e das crises em geral mantiveram um balanço patrimonial saudável, tiveram o cuidado de garantir acesso a financiamentos e tinham uma ampla gama de empresas que as protegiam de eventuais desacelerações em setores específicos. As crises e as incertezas também trazem oportunidades; a pressão que causam pode ser um catalisador para uma reorganização que melhore a saúde de uma empresa no longo prazo. Elas podem, também, trazer novas oportunidades de expandir a presença ou a posição de mercado por meio do desenvolvimento de negócios e do crescimento inorgânico.