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Maiores oportunidades na Internet das Coisas

A maturidade das tecnologias de base facilitará a implementação das tecnologias da Internet das Coisas, ajudando as empresas e os investidores a capturarem novas oportunidades.

Depois de anos de empolgação, expectativas e um entendimento cada vez maior do que é e representa, a Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês) parece pronta para ser utilizada de forma corrente dos negócios. O número de empresas que utiliza tecnologias de Internet das Coisas aumentou substancialmente – passando de 13% em 2014 para cerca de 25% hoje. Projeções indicam que o número de aparelhos conectados com IoT no mundo todo chegue a 43 bilhões em 2023, um aumento de quase três vezes em comparação ao volume de 2018. 1

Esse nível de crescimento é tanto resultado como decorrente do estímulo gerado pelas tecnologias em desenvolvimento que sustentam a Internet das Coisas. De fato, avanços tecnológicos significam que a tecnologia de IoT se tornará mais fácil de ser implementada, abrindo a porta para que uma variedade mais ampla de empresas se beneficie de suas aplicações. No entanto, apesar de grandes empresas terem começado a investir recursos consideráveis em tecnologias de IoT há tempos, os beneficiários dessa última onda de maturidade da Internet das Coisas serão as empresas de pequeno e médio portes. Mesmo que elas não tenham os meios necessários para executar implementações customizadas, elas ainda assim podem investir em soluções de IoT fáceis de usar.

Na qualidade de investidores frequentes em empresas de porte médio, fundos de private equity (PE) devem reavaliar a Internet das Coisas como sendo um setor capaz de criar valor substancial. Nesse sentido, este artigo apresenta uma visão geral do mercado crescente de IoT, as principais aplicações da tecnologia e os elementos contidos em seu ecossistema tecnológico. Esses insights podem ser traduzidos em vantagens de negócios para fundos de private equity interessados em se envolver com IoT como investidores, proprietários ou parceiros.

Crescimento consistente

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As tecnologias principais avançadas e a proliferação de equipamentos ajudaram a incentivar o crescimento de tecnologias de Internet das Coisas. De fato, projeta-se um crescimento de 13,6% ao ano para os investimentos em tecnologia até 2022 2 (ver quadro lateral “Crescimento variado em IoT, dependendo da tecnologia de base”). Nos próximos anos, um maior crescimento será possível graças a novos sensores, mais capacidade de processamento computacional e maior confiabilidade da conectividade móvel.

A tecnologia de sensores – inserida nos equipamentos de IoT – continuará a ter seu preço reduzido, se tornará mais avançada e estará disponível em maior escala. Tal disponibilidade e eficiência de custos, por sua vez, possibilitará novas aplicações de sensores, incluindo detecção e monitoração em larga escala.  Ao mesmo tempo, a capacidade de processamento computacional aumentou cerca de cem vezes nos últimos 15 anos. 3 Assim, aplicações como análises em tempo real e inteligência artificial podem transferir atividades de equipamentos locais para soluções em nuvem ou computação de borda (edge computing). 4 Além disso, a melhoria da conectividade móvel resultante do advento do 5G permitirá novas aplicações para experiências como realidade aumentada e realidade virtual.

Finalmente, o mercado de Internet das Coisas deverá crescer porque os equipamentos de TI existentes precisarão ser conectados à IoT. O crescimento de equipamentos de TI de conexão tradicional é impressionantemente moderado – cerca de 2% ao ano. No entanto, a base instalada de mais de cinco bilhões de smartphones, dois bilhões de computadores pessoais e um bilhão de tablets indica que há um mercado imenso para a integração de equipamentos. 5

Aplicações amplas

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A Internet das Coisas já possui mais de 200 aplicações conhecidas em contextos empresariais, mas sua adoção não está limitada a grandes empresas. 6 As primeiras organizações a adotar a tecnologia conseguiram ir além das fases piloto e ampliar a escala de soluções de IoT para incluir todos os seus negócios. Realmente, as tecnologias de Internet das Coisas já permitiram o surgimento de diversas aplicações marcantes em áreas tão distintas como indústria 4.0, cidades inteligentes, residências automatizadas, automóveis conectados e e-saúde. Além disso, os avanços que contribuem para a Internet das Coisas significam que todos os setores afetados podem hoje acessar funcionalidades que não existiam há cinco anos. Por exemplo, empresas B2B começaram a utilizar tecnologias da indústria 4.0 para manter conexões diretas com seus produtos no campo. Essa monitoração constante torna possível a realização de manutenção preditiva e melhora a eficiência e o tempo de atividade dos equipamentos (ver quadro lateral “Soluções de IoT em duas empresas privadas”).

Oportunidades de mercado significativas

O ecossistema tecnológico da Internet das Coisas avançou bastante nos últimos cinco anos – e, ao mesmo tempo, cada nível apresenta oportunidades substanciais de crescimento de mercado. Plataformas de habilitação de equipamentos possuem uma vantagem especialmente estratégica, que é a de permitir o crescimento de IoT enquanto ela própria está em fase de crescimento.

Aparelhos inteligentes – o nível fundamental do ecossistema tecnológico de IoT e a categoria de produto mais madura – são dominados por grandes fabricantes e fornecedores especializados, apresentando um crescimento de mercado bastante saudável (Quadro 1).

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O nível de conectividade do ecossistema tecnológico da Internet das Coisas está mais fortemente relacionado aos operadores de rede móvel que oferecem conectividade de celulares padrão. Um pequeno número de startups bem financiadas definiu esse nível do ecossistema tecnológico como alvo e avançou em subsegmentos como conectividade de grande alcance e baixa potência. A tecnologia de conectividade ocupa um mercado ainda em expansão e muito influenciado pela padronização internacional nesse nível de tecnologia.

No terceiro nível do ecossistema tecnológico está a computação em nuvem (que facilita o processamento central e a armazenagem de dados) e as plataformas de habilitação (que facilitam o acesso a aparelhos, dados entre aparelhos e padrões de conectividade). Também surgiram ferramentas computacionais e modelos analíticos complementares para interpretar, visualizar e produzir insights a partir de dados de equipamentos. Juntas, essas plataformas proliferaram e se desenvolveram nos últimos cinco anos, hoje simplificando a integração entre aparelhos e a implementação de aplicações – uma perspectiva de crescimento favorável para os principais participantes do mercado.

O último nível – as aplicações de negócios – é também o principal. Essas aplicações continuarão a ser bastante fragmentadas, com muitas soluções distintas e empresas estabelecidas coexistindo com intensa atividade de startups. Por estar ainda relativamente no início, é provável que as maiores oportunidades financeiras da Internet das Coisas surjam nesse nível do ecossistema. No entanto, plataformas de habilitação de equipamentos e computação em nuvem também serão importantes do ponto de vista financeiro e tecnológico.

Avanços na computação em nuvem

Plataformas em nuvem, os ambientes operacionais e de hardware dos centros de dados baseados na Internet, se desenvolveram rapidamente nos últimos cinco anos e hoje crescem com um CAGR de 18%. 7 Durante esse período, grandes provedores de tecnologia contribuíram com sua capacidade de processamento computacional e de armazenagem de dados, um alimento fundamental para o crescimento das aplicações de Internet das Coisas, ajudando a criar numerosas funcionalidades sofisticadas para as áreas de segurança e análises avançadas. Tais funcionalidades foram auxiliadas por parcerias técnicas estratégicas entre provedores de serviços especializados, que aumentaram ainda mais o valor da computação em nuvem. Por exemplo, um provedor de infraestrutura em nuvem pode estabelecer uma parceria com um fornecedor de soluções analíticas. Nessa linha, avanços como computação móvel de borda (que reduz a congestão da rede e melhora o desempenho dos aplicativos) podem tornar as soluções de IoT mais fáceis de serem implementadas e utilizadas.

A importância das plataformas de habilitação de aparelhos

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Plataformas de habilitação de aparelhos – conectando equipamentos, provedores em nuvem e aplicativos para obter o processamento ideal em especificações de Internet das Coisas – são uma fonte notável de crescimento e valor.8 Em suma, as plataformas de habilitação de aparelhos melhoram o desempenho financeiro em termos de custo, receita e eficiência operacional, especialmente para empresas do segmento médio de mercado (ver quadro lateral “Aplicações de plataformas de habilitação de aparelhos”). A facilidade de implementação dessas plataformas ajuda as empresas médias a aproveitarem as oportunidades da Internet das Coisas, mesmo que elas tenham menos recursos para soluções customizadas, quando comparadas a organizações de maior porte.

Nossa pesquisa mostra que, com as plataformas de habilitação de aparelhos se tornando mais importantes – em parte devido à sua adoção por empresas de pequeno e médio porte e por usuários domésticos e menores –, seus pools de receita correspondentes deverão continuar a crescer com CAGR médio de 24%, e de 48% para casos de uso de IoT (Quadro 2).

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A grande maioria do pool de valor da habilitação de aparelhos está sediada nas Américas, com um total de €5,5 bilhões em 2018. A importância da habilitação de aparelhos para a Internet das Coisas e seu crescimento global de receita também significam que as oportunidades tanto tecnológicas como de negócio serão praticamente iguais, independentemente da região, e devem apresentar taxas de crescimento similares. E, embora os clientes empresariais devam continuar a ser o maior segmento de consumidores, as plataformas de habilitação de aparelhos experimentarão uma demanda acelerada por parte de clientes de pequeno e médio portes.

O mercado cada vez maior de tecnologia de Internet das Coisas reflete algumas das formas pelas quais tecnologias em fase de maturação começaram a concretizar as promessas de IoT. Fundos de private equity deveriam avaliar as oportunidades para alavancar a IoT nas empresas de seus portfolios e buscar novas oportunidades de investimento que estão surgindo tanto no próprio mercado de IoT como em setores que poderão colher benefícios imensos com o uso dessas tecnologias.

Sobre o(s) autor(es)

Fredrik Dahlqvist é sócio sênior do escritório de Estocolmo da McKinsey, Mark Patel é sócio sênior do escritório de São Francisco, Alexander Rajko é associate partner no escritório de Colônia, e Jonathan Shulman é sócio no escritório de Amsterdã.