Empresas faróis melhoram sua sustentabilidade com tecnologias da Quarta Revolução Industrial

Nas empresas de manufatura conhecidas como “faróis”, a Quarta Revolução Industrial (4IR) facilita o alcance da sustentabilidade. Graças a tecnologias digitais, a sustentabilidade ambiental e a competitividade operacional se reforçam mutuamente.

As empresas que fazem parte da Global Lighthouse Network (GLN) se estabeleceram como “faróis” da Quarta Revolução Industrial (4IR), adaptando-se a quatro mudanças duradouras em relação a agilidade e centralidade do cliente, resiliência da cadeia de suprimentos, velocidade e produtividade, e ecoeficiência. Particularmente, a ecoeficiência aparece na vanguarda, impulsionada pela maior preocupação global com o impacto ambiental das atividades humanas. O Secretário Geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, chamou o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), publicado em agosto de 2021, de “alerta vermelho para a humanidade”.

Desafiamos a noção de que a responsabilidade ambiental e a produtividade – e, portanto, a rentabilidade – são contraditórias. Em vez disso, as transformações 4IR baseadas em ferramentas digitais e analytics podem aprimorar não apenas a tecnologia ecológica como também os métodos de produção atuais por meio de uma maior eficiência. Ao adotar a transformação alavancada pelas tecnologias 4IR, um tipo de ecoeficiência viável torna-se possível, na qual a sustentabilidade e a excelência competitiva não apenas são compatíveis como também interligadas.

A ecoeficência é o resultado das tecnologias 4IR que, quando voltadas à resolução de problemas de negócios, impulsionam simultaneamente a produtividade e a sustentabilidade. Esse conceito de eficiência tem três dimensões. Primeiro, envolve uma tecnologia digital que permite a tomada de ações baseadas em dados em toda a produção e na cadeia de valor de ponta a ponta. Segundo, o conceito demonstra melhorias mensuráveis em todos os indicadores de desempenho como custo, agilidade, conveniência e qualidade. Finalmente, alavanca ganhos de sustentabilidade por meio da redução do consumo, do desperdício de recursos e das emissões.

As organizações devem entender, em primeiro lugar, o impacto potencial que a ecoeficiência traz para poder concretizá-la. Se as empresas não a estiverem buscando – e muito menos mensurando-a – elas poderão não concretizar as oportunidades de sustentabilidade subjacentes e não aproveitadas em meio a suas transformações 4IR. Oportunidades existem, sem dúvida: dados coletados desde o início deste estudo mostram que mais de três quintos das empresas faróis reportam impacto da sustentabilidade como parte das realizações viabilizadas pela transformação 4IR.

É difícil imaginar como o “alerta vermelho para a humanidade” possa ser abordado a menos que as empresas façam da sustentabilidade parte integrante de suas agendas de negócios. Além disso, as experiências das empresas faróis mostram a sinergia gerada entre os esforços de tecnologia, produtividade e sustentabilidade nas diferentes indústrias – e como outras empresas podem acelerar seus esforços de digitalização.

Empresas que se comprometem verdadeiramente com a gestão ambiental por meio de promessas e ações estão estabelecendo um padrão de sustentabilidade. Aquelas que combinam esse compromisso com todo o poder de transformação das tecnologias 4IR, alcançando uma mudança de patamar em termos de impacto, estão liderando pelo exemplo e conquistando a nova designação de “faróis da sustentabilidade”.

A Global Lighthouse Network reconhece os líderes da indústria

Lançada em 2018, a Global Lighthouse Network é uma iniciativa do Fórum Econômico Mundial em colaboração com a McKinsey & Company. As empresas em posição de vanguarda que compõem essa rede demonstram constantemente o verdadeiro potencial das tecnologias 4IR para transformar a própria natureza da manufatura. A nonagésima empresa farol foi reconhecida recentemente, de forma que a rede é atualmente cinco vezes maior que seu tamanho original. (Quadro 1).

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O poder da rede cresceu graças a milhares de horas de visitas a fábricas, tanto virtuais como presenciais. As visitas a fábricas revelam o mistério por trás de cada um dos 450 casos de uso avançados e ativos compartilhados até o momento. Demonstrações detalhadas de capacitadores e comentários do chão de fábrica oferecem uma visão de ponta a ponta dessas transformações digitais. No nível da fábrica e ao longo das cadeias de suprimentos, as empresas faróis mostram o que é possível quando as organizações combinam uma visão ousada, liderança criativa e modalidades de trabalho ágeis para maximizar o poder das tecnologias digitais emergentes.

À medida que a rede cresce, torna-se cada vez mais claro que a transformação 4IR é possível em todas as regiões e indústrias. Além disso, as evidências se acumulam, aumentando o entendimento de que mudanças duradouras estão ocorrendo em muitos contextos diversificados. Essas são as tendências atuais – empresas de setores radicalmente diferentes, realizando trabalhos muito diferentes, estão se adaptando às mesmas mudanças. Ao fazê-lo, as empresas líderes estão mostrando qual é o “segredo” do sucesso.

Um olhar mais atento sobre o sucesso das empresas faróis revela que as organizações que investem em tecnologia 4IR estão realizando melhorias na produtividade, sustentabilidade, custo operacional, customização e na velocidade de entrada no mercado. Empresas que geram eficiência competitiva por meio da transformação digital são capazes de fazer com que cada quilowatt-hora e cada recurso natural conte, usando cada máquina e cada metro quadrado do espaço de produção em seu máximo potencial otimizado.

A Quarta Revolução Industrial melhora a sustentabilidade e a produtividade

O Acordo de Paris busca impedir o aumento da temperatura global ao longo do século, limitando-a a menos de 2°C acima dos níveis pré-industriais. Além disso, ele força a adoção de medidas ainda mais ambiciosas para limitar o aumento a menos de 1,5°C. Até 2020, 83 países e a União Europeia haviam reportado um total de 700 políticas relacionadas ao consumo e produção sustentáveis a fim de alcançar tais metas.

Em contraste, até 2020 somente 40 países haviam reportado políticas sustentáveis de compras públicas ou planos de ação que estimulem a fabricação de produtos ambientalmente eficientes, que promovam práticas de compras mais socialmente responsáveis e que aumentem a sustentabilidade das cadeias de suprimentos. É essa disparidade que coloca a ecoeficiência na vanguarda das mudanças duradouras (Quadro 2).

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À medida que respondem a esse chamado à ação urgente, os fabricantes poderão sentir-se mais animados ao aprenderem que, junto com as iniciativas ecológicas mais imediatamente visíveis, como as fontes de energia renovável, os mesmos esforços de transformação digital que geram retorno positivo também introduzem uma série de benefícios de sustentabilidade. Por exemplo, por meio da adoção de inteligência artificial no controle de processos, uma empresa de gás e petróleo reduziu em mais de 10% a intensidade do uso de energia de um processo. E à medida que se tornam melhores e mais eficientes no trabalho que realizam, as empresas industriais podem descobrir vantagens de ambos os lados: alcançar maior desempenho operacional ao mesmo tempo em que cumprem seus compromissos de gestão ambiental.

Com a pressão das mudanças climáticas aumentando a cada ano, surgiu um aprendizado estimulante. Embora os maiores benefícios ambientais venham de iniciativas de sustentabilidade fundamentais (como o compromisso com o uso de energias renováveis), as tecnologias 4IR facilitam o processo de tornar-se sustentável. As empresas que forem capazes de solucionar problemas de negócios ao mesmo tempo em que reduzem problemas ambientais como o desperdício, o consumo e as emissões estarão na liderança da sustentabilidade da Quarta Revolução Industrial.

A maioria das empresas faróis reporta que suas transformações 4IR melhoram a sustentabilidade

Cerca de dois terços (64%) das empresas faróis reportaram impacto na sustentabilidade como parte de suas transformações 4IR, seja derivado de casos de uso diretos (aqueles destinados a alcançar impacto na sustentabilidade), como indiretos (destinados a outras finalidades) que também geraram resultados na área. Como exemplo, entre as 14 empresas faróis da indústria de processos, 29% reportaram ganhos de sustentabilidade a partir de casos de uso diretos, tais como o emprego de gêmeos digitais de sustentabilidade – isto é, modelos avançados de sustentabilidade de uma operação inteira – e 50% reportaram ganhos de casos de uso indiretos, incluindo o uso de ferramentas de advanced analytics para aumentar a qualidade da produção e reduzir o desperdício devido a resíduos.

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Da mesma forma, 25% das empresas faróis do setor de bens de consumo (CPG, na sigla em inglês) mencionam impacto na sustentabilidade de casos de uso diretos. Gêmeos digitais de sustentabilidade também mostraram impacto significativo nesse setor, reduzindo o consumo de energia em mais de um terço e o uso de água em mais de um quarto. Além disso, 50% das empresas faróis de CPG reportaram impacto de casos de uso indiretos – ou seja, esforços de 4IR que visavam solucionar problemas de negócios, tais como redução de índices de defeitos por meio do controle de processos auxiliados por inteligência artificial –, que também reduziram o desperdício. Dessa forma, concluímos que os esforços relacionados à Quarta Revolução Industrial – sejam diretamente voltados a impactar a sustentabilidade, sejam direcionados a propósitos totalmente diferentes – estão provocando efeitos positivos para o meio ambiente.

Naturalmente, alcançar impacto somente na sustentabilidade ou na eficiência de forma isolada não equivale a alcançar ecoeficiência. Para abordar verdadeiramente o “alerta vermelho para a humanidade”, a combinação de ambos é imprescindível. E para concretizá-la, as empresas devem fazer da sustentabilidade a força motriz por trás de suas agendas de negócios. As empresas faróis, mais uma vez, mostram que isso já está acontecendo entre as líderes.

Referências da ecoeficiência: os faróis da sustentabilidade

A Global Lighthouse Network foi estabelecida para abrir o caminho da transformação da Quarta Revolução Industrial no setor de manufatura, e as 90 fábricas líderes já estabeleceram novos benchmarks no que se refere ao sucesso em transformações 4IR em escala. Essas empresas pioneiras também estão posicionadas para liderar o movimento rumo ao próximo patamar da sustentabilidade.

No Encontro Anual do Fórum Econômico Mundial de 2020, líderes de empresas industriais atribuíram à GLN a tarefa de descobrir como fábricas e cadeias de valor de ponta a ponta poderiam tornar-se mais sustentáveis por meio da tecnologia. Além disso, a rede foi incentivada a identificar organizações membro que servissem de exemplo de impacto na sustentabilidade especificamente, e que pudessem ser vistas como modelo de aspiração para outras empresas.

A nova designação de “farol de sustentabilidade” foi criada para reconhecer essas empresas líderes. As empresas faróis de sustentabilidade, além de alcançarem um nível de maturidade de 4IR excepcional, característico dos outros faróis, demonstraram um compromisso exemplar com a sustentabilidade ambiental por meio do propósito, impacto e escala dos casos de uso implementados.

A identificação de faróis de sustentabilidade baseou-se em informações pré-existentes compartilhadas como parte das candidaturas iniciais das empresas faróis. A análise rigorosa dos dados disponíveis sobre as 90 fábricas membros ajudou a determinar quais delas poderiam melhor servir de inspiração para futuros faróis em termos de sustentabilidade. Com um resultado de 64% de empresas que reportavam impacto em sustentabilidade, foi necessária uma análise mais aprofundada para identificar as verdadeiras líderes. Dezesseis faróis destacaram casos de uso avançados, voltados à obtenção de impacto em sustentabilidade, mas três emergiram a partir de um painel de especialistas independente graças ao uso de tecnologias 4IR e de um salto qualitativo de impacto em categorias ambientais: Ericsson (Lewisville, Texas, Estados Unidos), Henkel (Düsseldorf, Alemanha) e Schneider Electric (Lexington, Kentucky, Estados Unidos) (Quadro 4). Todos os membros da rede – tanto existentes como reconhecidos recentemente – são elegíveis para a designação como faróis de sustentabilidade no futuro.

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As empresas faróis de sustentabilidade buscam alcançar impacto ambicioso em relação à sustentabilidade ambiental e mostram realizações altamente notáveis como recompensa. Elas são explícitas quanto à incorporação de metas de sustentabilidade, incluindo cronogramas específicos como parte de sua jornada de transformação 4IR. Os resultados alcançados englobam diversas categorias ambientais e alcançam novos patamares de melhoria.

O mandato global de ações climáticas é claro. Cumpri-lo requer inovação, determinação e cooperação – e a força da Global Lighthouse Network reside nessas três características. As empresas faróis compartilham insights e aprendem umas com as outras enquanto percorrem suas jornadas 4IR, inspirando outras empresas o tempo todo. Esse relacionamento de colaboração cria um efeito de sopro de inovação, permitindo que as empresas aspirantes a faróis sigam seu caminho e acelerem sua transformação.

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