O centro corporativo como alavanca do novo normal

Com a continuidade da pandemia de COVID-19, estão aumentando os indícios de que o novo normal trará mudanças importantes. Em sua adaptação, as organizações estão recorrendo ao centro corporativo para assumir a liderança como alavanca das mudanças.

Enquanto a batalha contra a COVID-19 prossegue no mundo inteiro, as organizações estão adaptando suas operações e reimaginando o novo normal. O distanciamento físico continua em vigor em muitas regiões e, embora algumas empresas tenham conseguido levar os funcionários de volta aos escritórios, muitas fecharam de novo ou aumentaram substancialmente o trabalho remoto (em inglês). Com isso, está aumentando a pressão para aprimorar as tecnologias de trabalho remoto e reduzir os gastos com espaço de escritórios.

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Em nosso último levantamento (vide coluna “Nossa metodologia”) com quase 300 CXOs (Diretores de Experiência na sigla em inglês) internacionais de diversos setores e funções, descobrimos um aumento da necessidade de gastos de vendas, gerais e administrativos (SG&A, na sigla em inglês de sales, general and administrative) durante a adaptação ao novo normal. Abaixo descrevemos nossas conclusões sobre como o papel do centro corporativo é visto no contexto do novo normal.

O custo continua reinando

Como descobrimos em nossa pesquisa anterior, a gestão de custos continua sendo a maior prioridade em todas as partes das organizações: 68% dos entrevistados de centros corporativos classificaram a gestão de custos como sua maior prioridade. O desenvolvimento das capacidades digitais e o crescimento vêm logo atrás, com diferenças dependendo da área da organização. Atentamos particularmente para o foco adicional que os centros corporativos estão colocando na reorganização: 28% desses entrevistados a incluíram em suas três maiores prioridades, em comparação com apenas 15% entre os entrevistados de unidades de negócios (Quadro 1).

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Luz no fim do túnel?

Em nosso última, dissemos que, apesar de o trem da redução de custos ter partido da estação, o destino final de muitos programas de SG&A não estava claro, com as metas variando substancialmente. Pouca coisa parece ter mudado de lá para cá: três quartos dos executivos de toda a organização relatam ter iniciado seus programas de melhoria, mas as ambições referentes às metas de redução percentual continuam diferindo ligeiramente entre os papéis funcionais.

Não obstante, os líderes de centros corporativos parecem estar assumindo um papel fundamental no atingimento das metas de redução de custos, particularmente em instalações (21%), RH (19%) e estratégia (18%). Também descobrimos que, em todas as funções, os executivos vislumbram metas de redução de 15% a 20% nos próximos dois anos. Observando mais detalhadamente todas as funções, os líderes de RH, estratégia e finanças que trabalham em centros corporativos preconizam reduções um pouco maiores do que seus pares de unidades de negócios (Quadro 2). Além disso, nas funções de procurement, os líderes de unidades de negócios estão pressupondo reduções de 20%, em comparação com as reduções de 15% entre os entrevistados de centros corporativos.

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Um novo papel para o centro corporativo?

Embora as considerações de custos sejam um dos fatores mais importantes no processo de tomada de decisões, e apesar do fato de continuar sendo necessário fazer escolhas difíceis em toda a organização à medida que as metas para o novo normal são definidas, o centro corporativo vem ganhando importância em seu papel de mostrar o caminho. Descobrimos que executivos de todas as organizações esperam que o centro corporativo atue como alavanca das mudanças – e, cada vez mais, sirva de modelo para toda a organização.

Em particular, descobrimos que, enquanto 90% dos executivos de centros corporativos acreditam que o centro será uma alavanca das mudanças ou modelo de conduta para o resto da organização (Quadro 3), 75% dos líderes de unidade de negócios também estão alinhados com esta missão, o que legitima e reforça o papel do centro corporativo. Constatamos, além disso, que mais de 80% de toda a organização espera que o centro corporativo contribua para iniciativas de custos em sintonia com o restante da organização ou até mais do que o restante da organização.

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Isso pode ser importante para o sucesso geral da organização, já que o trabalho de transformação no centro corporativo pode atuar como um farol para a empresa como um todo, e a eficiência em uma área funcional do centro corporativo pode significar eficiência em outras funções.

Essa correlação está se comprovando na prática, já que cerca de 80% dos executivos enxergam o centro corporativo como uma alavanca na definição de estratégias e cerca de 65% dos executivos veem-no como líder financeiro da organização (Quadro 4). Ademais, espera-se que os centros corporativos desempenhem um papel na promoção de novos modos de trabalho e também da otimização do espaço físico.

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Os desafios são iguais, mas as pressões, não

Vimos que todas as partes da organização estão enfrentando desafios paralelos, sendo que 50% a 70% dos executivos relatam pressões no sentido de fazerem mudanças no modelo de trabalho, de trabalharem com maior eficiência (fazerem mais com menos) e de aumentarem a adoção de tecnologias digitais, como suas questões atuais a serem resolvidas.

No entanto, os centros corporativos estão estabelecendo metas mais ambiciosas no que diz respeito à adoção do trabalho em casa, provavelmente porque as unidades de negócios necessitam que uma parcela maior de funcionários trabalhe no local, o que faz do trabalho remoto uma prioridade menor. Além disso, embora todas as organizações estejam modificando políticas de modo a viabilizarem o trabalho remoto, os centros corporativos são os líderes no que tange à redução das viagens, ao estabelecimento de treinamento online e à permissão para que as pessoas trabalhem em casa mais de dois dias por semana (Quadro 5).

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As pressões sentidas pelas unidades de negócios para implementar o trabalho remoto vão além da infraestrutura tecnológica. Os executivos de unidades de negócios mencionam o coaching (67%), o esgotamento (64%) e os problemas de fluxo de trabalho (50%) como desafios específicos na situação atual – todos eles desafios que parecem ser bem menos relevantes para os executivos de centros corporativos, cujas cifras se reduzem, respectivamente, a 55%, 52% e 37% (Quadro 6).

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A ascensão do trabalho remoto significa a queda do escritório?

Os centros corporativos estão enfrentando menos desafios referentes ao trabalho remoto, mas a questão que eles enfrentam agora é o uso do espaço. Muitos estão planejando uma otimização mais ambiciosa do espaço de escritórios nos próximos nove meses, em comparação com as unidades de negócios. Nossos resultados mostraram que, no curto prazo, 70% dos executivos de centros corporativos pretendem reconfigurar o espaço de escritórios, ante 54% nas unidades de negócios. Ademais, no médio prazo, 30% dos centros corporativos querem rescindir os contratos existentes, em comparação com 14% das unidades de negócios. Por fim, ao pensarem no prazo mais longo, 55% dos centros corporativos pretendem mudar para locais de custo mais baixo e em menor número, medida relatada por apenas 28% dos entrevistados de unidades de negócios (Quadro 7).

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Os centros corporativos e as unidades de negócios estão sofrendo pressões diferentes em sua adaptação ao novo normal. E, embora o custo continue sendo o fator principal na tomada de decisões em todas as partes da organização, há uma nova oportunidade para o centro corporativo conduzir a pauta.