A necessidade de velocidade na era pós-COVID-19 — e como alcançá-la

Os resultados da pesquisa confirmam que a velocidade organizacional é um ingrediente essencial para um desempenho superior em um período de mudanças inéditas e apontam três maneiras pelas quais as empresas podem ganhar velocidade para o longo prazo.

Em meio à pandemia de COVID-19, executivos e conselheiros dizem que sua organização está fazendo grandes mudanças com um objetivo prioritário: aumentar a velocidade com que ajustam a direção estratégica, tomam e implementam decisões táticas e distribuem recursos 1 . Além disso, os resultados da pesquisa indicam que vale a pena fazer um esforço especial para ganhar velocidade. As organizações rápidas superam as outras por uma larga margem em uma ampla gama de resultados, como lucratividade, resiliência operacional, saúde organizacional 2 e crescimento.

No entanto, aumentar a velocidade não é tão fácil quanto pisar no acelerador. Os executivos que entrevistamos relatam que os silos organizacionais, a estratégia pouco clara e a lentidão na tomada de decisões interferem frequentemente nas tentativas de aumentar a velocidade com que o trabalho é realizado. Os líderes veem três oportunidades principais de superar esses desafios: desenvolver mecanismos para uma tomada de decisões mais rápida, melhorar a comunicação e a colaboração internas e aumentar o uso da tecnologia. No presente artigo, apresentamos uma visão mais detalhada das mudanças que as organizações vêm fazendo para ganhar velocidade e as medidas adicionais que podem ajudá-las a apertar o passo.

Os executivos que entrevistamos relatam que os silos organizacionais, a estratégia pouco clara e a lentidão na tomada de decisões interferem frequentemente nas tentativas de aumentar a velocidade com que o trabalho é realizado.

Mudança em grande escala à vista

Por causa da pandemia, os executivos estão observando uma mudança sísmica no funcionamento das organizações, que abrange ajustes táticos em aspectos como a estrutura e frequência das reuniões e a gestão diária, bem como mudanças em toda a empresa em áreas como liderança e gestão de talentos, uso da tecnologia e inovação. Na maioria dos setores, mais da metade dos líderes entrevistados estão cogitando ou planejando mudanças em grande escala em dez das 12 dimensões exploradas (Quadro 1). Os líderes estão fazendo muitas dessas mudanças rapidamente por necessidade. Um líder do setor de saúde que foi entrevistado explicou: “Pudemos implantar uma solução de atendimento virtual em toda a empresa em questão de semanas porque era só o que tínhamos. Essa implementação vinha sendo planejada havia mais de um ano, antes disso”. (Todas as citações contidas neste artigo foram coletadas em nossa pesquisa.)

Além disso, os entrevistados preveem que pelo menos algumas dessas mudanças serão mantidas depois que a pandemia terminar. Veja as expectativas com relação ao trabalho remoto e híbrido, por exemplo. Cinquenta e cinco por cento dos líderes preveem que pelo menos metade da força de trabalho de sua organização permanecerá total ou parcialmente remota após a crise. Embora as expectativas variem muito de acordo com o setor – de 69% prevendo esse nível de trabalho remoto em tecnologia, telecomunicações e mídia a 43% em setores avançados –, mesmo nos setores em que a manufatura, o atendimento de pacientes e as transações de vendas frequentemente exigem pessoas em consultórios, lojas, fábricas e outras instalações das empresas, parte significativa da força de trabalho pode ser parcial ou totalmente remota.

A velocidade é fundamental

Muitas organizações se dão conta do valor da velocidade durante esses períodos de incerteza e mudanças constantes. Os líderes entrevistados citam mais frequentemente a necessidade de reagir com maior rapidez às mudanças do mercado como o motivo pelo qual as organizações têm feito mudanças durante a pandemia. Essa necessidade é relatada com muito mais frequência do que fatores como a necessidade de reduzir custos, aumentar a produtividade ou interagir de maneira mais eficaz com os clientes (Quadro 2).

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Uma comparação entre organizações rápidas e lentas 3 revela as vantagens observadas na velocidade. Os líderes das organizações mais rápidas – isto é, aqueles que dizem que sua organização é significativamente mais rápida do que as concorrentes – relatam um desempenho superior significativo, em relação aos líderes de organizações mais lentas, no que se refere a todos os resultados organizacionais sobre os quais perguntamos, inclusive lucratividade, resiliência operacional, saúde organizacional e crescimento (Quadro 3). Além disso, nossas descobertas mostram que a velocidade é um indicador crucial de cada um desses resultados 4 . revela as vantagens observadas na velocidade. Os líderes das organizações mais rápidas – isto é, aqueles que dizem que sua organização é significativamente mais rápida do que as concorrentes – relatam um desempenho superior significativo, em relação aos líderes de organizações mais lentas, no que se refere a todos os resultados organizacionais sobre os quais perguntamos, inclusive lucratividade, resiliência operacional, saúde organizacional e crescimento (Quadro 3). Além disso, nossas descobertas mostram que a velocidade é um indicador crucial de cada um desses resultados

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No entanto, apesar da importância da velocidade, é difícil alcançá-la. Desenvolver velocidade pode exigir que os executivos repensem muitos conceitos antigos de sua organização. Em todos os setores, os executivos indicaram com mais frequência os silos organizacionais, a lentidão na tomada de decisões e a falta de clareza estratégica como fatores que limitam a velocidade com que sua organização realiza o trabalho (Quadro 4). Políticas rígidas e hierarquia formal também surgem como fatores comuns em uma série de setores. Embora os silos organizacionais possam ser um desafio mais comum, as descobertas mostram que a lentidão na tomada de decisões é o principal fator que distingue as organizações mais lentas das mais rápidas 5 . Nenhum desses desafios é novo, mas eles podem parecer mais agudos porque o ritmo das mudanças está aumentando e a crise da COVID-19 representa uma ameaça imediata à receita.

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Vários desses desafios se refletem nas maneiras pelas quais empresas têm buscado aumentar sua velocidade nos últimos meses. Quando indagados sobre quais mudanças, especificamente, sua organização está fazendo para gerar resultados mais rapidamente, os líderes relatam com maior frequência o aumento da produtividade por meio do uso da tecnologia, o reforço do foco nos clientes e o aprimoramento da comunicação para agilizar a tomada de decisões e a colaboração.

Diante da necessidade de implementar tecnologias que permitam às pessoas trabalhar remotamente, os líderes aproveitaram a oportunidade para acelerar a adoção de tecnologias e a inovação em suas organizações. Exemplo de observação de um líder: “Com a COVID e seu impacto nos negócios físicos, nossa empresa melhorou e acelerou a digitalização e nosso negócio de comércio eletrônico. Realocamos orçamentos de marketing e despesas de capital para o online, pois acreditamos que ele passará a representar mais de 35% dos nossos negócios”. Em sintonia com a adoção da tecnologia digital, as organizações também focaram nos clientes, usando interações virtuais para entender suas necessidades, e nos novos modelos de entrega para reagir rapidamente a essas necessidades.

Além disso, as organizações vêm incentivando seus funcionários a se comunicar mais, em parte para compensar a falta de encontros pessoais. Um líder explicou as vantagens observadas em fazer isso: “O maior comparecimento às reuniões e a maior pontualidade [resultaram em decisões mais rápidas] sobre funcionários, orçamento, volta ao escritório e resposta a questões sociais”. Outro líder observa que “a comunicação entre funcionários e executivos ficou mais frequente e transparente e, assim, as mensagens passaram a ser transmitidas com muito mais eficiência” pela organização. Parte da velocidade que as organizações estão ganhando é resultado de formas de trabalho semelhantes à da gestão de crises, mas muito disso pode e deve ser respaldado por novas maneiras de trabalhar, à medida que as organizações encontram seu caminho em meio à pandemia.

Ainda mais oportunidades de melhorar a tomada de decisões, a comunicação e o uso da tecnologia

Pensando no futuro, os líderes veem a oportunidade de aumentar a velocidade de sua organização fazendo ainda mais nas áreas descritas acima. Quando questionados sobre as principais oportunidades de alcançar maior velocidade, o que os entrevistados mais citam são uma tomada de decisões mais eficiente, uma comunicação mais clara e o uso da tecnologia para interagir melhor com clientes e funcionários.

Muitos líderes veem o ritmo da tomada de decisões como uma prioridade de melhoria, provavelmente porque muitas organizações acham mais difícil escolher um caminho a seguir do que seguir esse caminho. Um líder explicou: “Raramente enfrentamos problemas de execução, mas sim problemas de aprovação do que executar”. Mais de um quarto dos líderes entrevistados mencionaram uma tomada de decisões eficiente como a melhor maneira de fazer as coisas mais rapidamente no futuro. Os líderes entrevistados observam o quanto é importante dar mais autoridade de tomada de decisões aos funcionários que trabalham mais perto dos clientes e esclarecer as responsabilidades das pessoas. Pesquisas anteriores da McKinsey indicam que é possível aumentar a velocidade de tomada de decisões realizando menos reuniões, com menos tomadores de decisões presentes em cada uma, incentivando o debate de alta qualidade em tempo real sobre decisões de alto risco com potencial de definir o futuro da empresa (ou seja, grandes apostas) e delegando decisões não críticas a funcionários e equipes empoderados.

Os líderes também dizem que sua organização se beneficiaria de melhorias adicionais na comunicação. Quase um quarto dos entrevistados disseram que uma comunicação e uma colaboração melhores aumentariam a velocidade de atuação de sua organização, em parte por aumentar a transparência. Muitos observaram que a comunicação entre as áreas da empresa aumentaria a qualidade da tomada de decisões, promoveria o compartilhamento de ativos, como dados, e evitaria a duplicação do trabalho. Além disso, os líderes afirmam que o aumento da comunicação entre funcionários de vários níveis da organização ajudará a fazer com que informações úteis cheguem às pessoas de maneira mais eficiente. Em nossa experiência, as organizações podem se beneficiar da adoção de modelos mais ágeis e não hierárquicos de comunicação e colaboração que aumentem a eficiência do compartilhamento de informações. Além disso, a melhoria da comunicação e da colaboração começa pelo topo: os líderes devem encarregar as equipes de missões específicas com foco nos clientes ou nos funcionários, e estes devem ter clareza sobre o que precisa ser feito, por quem, quando e por quê.

Por fim, os líderes que entrevistamos mencionaram oportunidades de aumentar a velocidade por meio de um maior uso da tecnologia. Um número maior de líderes entrevistados acredita que sua organização apresenta desempenho inferior ao esperado em digital do que em qualquer outra dimensão explorada. Quase um quarto dos entrevistados preveem que a tecnologia e a viabilização digital melhorarão rapidamente a interação com clientes e funcionários. Eles observam que a tecnologia pode aumentar a velocidade da organização ao permitir o monitoramento do desempenho em tempo real e aumentar a eficiência dos funcionários. Em nossa experiência, o maior uso da tecnologia para viabilizar um modelo de trabalho híbrido pode proporcionar a uma organização mais flexibilidade e produtividade, e a tecnologia digital pode ajudar a desenvolver as habilidades funcionais dos funcionários por meio de aprendizagem online e prática. Ademais, as organizações podem ganhar velocidade e atender melhor às necessidades dos clientes ao incorporarem a tecnologia a seu ecossistema.


Nos primeiros meses da pandemia, empresas de todos os setores aceleraram sua tomada de decisões e suas operações para lidar com as condições em rápida transformação. À medida que a adrenalina daquele período inicial de reação à crise vai passando, as empresas precisam descobrir como ganhar velocidade de forma deliberada. Os resultados da nossa pesquisa mostram que, para isso, os executivos estão se concentrando em três linhas de ação: tomar boas decisões mais rapidamente, melhorar a comunicação e a colaboração e fazer maior uso da tecnologia. Dados os benefícios evidentes da velocidade organizacional, a questão não é se a velocidade é importante, mas se as organizações podem se dar ao luxo de não incorporar a velocidade à sua cultura e a seus processos.